Mary Gambiarra completa três anos de luta e talento

Mary Gambiarra completa três anos de luta e talento

Drag queen brasiliense começou a carreira fazendo campanhas eleitorais que defendiam causas LGBTs. O after Party Brasília bateu um papo com a artista

Quem curte a noite LGBT de Brasília, com certeza já se esbarrou com a drag queen Mary Gambiarra. Versátil, criativa, colorida e talentosa, a artista, completou três anos no dia 16/08, e bateu um papo com o After Party.

A primeira aparição foi modesta, durante uma campanha eleitoral que defendia causas LGBT’s. Mary conta que a personagem nasceu com o intuito de fazer política. “Era uma época em que as pessoas não queriam falar sobre o assunto e a drag foi uma estratégia que deu super certo”, explica.

 

Acabou campanha, acabou Mary?

Logo após o período eleitoral, a drag ficou desempregada e o que começou como uma brincadeira, se tornou uma fonte de renda para o ator Diego Lago, intérprete que dá vida a artista. Ele começou a levar a Mary para trabalhar em projetos no Ministério da Saúde e, de lá, aproveitava a “montação” para cair na balada. “Toda vez que eu me montava para ir a esses trabalhos, acabava indo para Victória Haus e para o Barulho. A partir daí, as pessoas começaram a me conhecer, o que chamou atenção dos donos da Vic, que me convidaram para trabalhar com eles”, conta

“Notada! ” É assim que Thales Sabino, dono da Victória Haus, define Mary Gambiarra. Para o empresário, a artista tem uma ótima noção criativa e visão de figurino. “Ela encontrou o que é a drag dela muito rápido, não ficou perdida. Mary consegue se apresentar, trabalhar nos bastidores e produzir. Me sinto muito feliz em tê-la em nosso elenco. É divertida, tira foto, aborda as pessoas de forma engraçada e não passa batido. Ela é um entretenimento ambulante”, declara.

 

Criador

Formado em gestão pública, Diego revela que, desde pequeno, sempre teve uma ligação muito forte com arte, teatro e música. Mas, antes da Mary, não tinha a menor noção de como se montar. “Aprendi a maquiar assistindo vídeos no youtube. Ser drag nunca foi o que planejei, o que sonhei, mas tudo colaborou para que eu estivesse aqui hoje. Tudo contribuiu para que eu fizesse drag. Tinha que ser assim”, afirma.

Além das artistas Carmen Miranda e Alice Bombom, Diego sempre se inspirou na mãe e na avó, mas, nem tudo foram flores. O ator conta que, durante um tempo, manteve a personagem em segredo da família. “Para mim foi difícil me aceitar. Contei para minha mãe há pouco tempo e, a partir daí, realmente me sinto totalmente livre. Eu sou o que eu sou. Essa é minha arte e eu sou muito feliz com o que eu faço”.

Recentemente, Mary, que vem do nome popular Maria e Gambiarra, em referência a uma festa que só toca música nacional, marcou presença em Fernando de Noronha/PE , durante a festa Farra, que é a cara da drag. Além de realizar eventos, palestras em universidades e trabalhos de militância, Mary já subiu nos trios de parada gay, em Brasília, trajando as cores da bandeira do orgulho LGBT e, quando o assunto é solidariedade, a artista “deu nome” participando do projeto Montadas para o Bem, ação social, que arrecadou diversos agasalhos para pessoas em situação de rua. “Fazer a Mary, me deu oportunidade de conhecer muitas coisas. Mais do que isso, me realiza enquanto artista, isso que é o bacana. Às vezes, é difícil aceitar o seu talento, se aceitar. Essa é a minha vida, é o que gosto de fazer”, diz Diego.

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